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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PROJETO DE LEI Nº 805, DE 2010 - Torna obrigatório que as farmácias e drogarias no âmbito do Estado de São Paulo mantenham à disposição do público, para consulta, lista de medicamentos em caracteres braille

Diário Oficial Poder Executivo - Estado de São Paulo Seção I
Palácio dos Bandeirantes
Av. Morumbi, 4.500 - Morumbi - CEP 05698-900 - Fone: 3745-3344


Nº 228 – DOE de 03/12/10 - p.8 
PROJETO DE LEI Nº 805, DE 2010 
"Torna obrigatório que as farmácias e drogarias no âmbito do Estado de São Paulo mantenham à disposição do público, para consulta, lista de medicamentos em caracteres braille". 

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECRETA:
Artigo 1º - As farmácias e drogarias estabelecidas no Estado de São Paulo ficam obrigadas a manter à disposição do
público, para consulta, lista de todos os medicamentos, em caracteres Braille.
Artigo 2º - O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 120 (cento e vinte) dias.
Artigo 3º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação
JUSTIFICATIVA
Trata-se de propositura com intuito de cuidar da segurança e proteção das pessoas com deficiência visual,
enquadrando-se, assim, dentre a competência comum da União, Estado, Distrito Federal e Municípios.
É o que dispõe o artigo 23, II da Constituição Federal de 1988, vejamos.
“Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
(... omissis ...)
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;”
Visa também a proteção ao consumidor portador de deficiência visual e, como tal, inscreve-se na competência
concorrente da União, Estados e Distrito Federal, conforme  previsto no artigo 24, VIII e XIV da Carta Política de
1988, “in verbis”.
“Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
(... omissis ...)
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico;
 (...)
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;
Dessa forma, vislumbra-se que a presente propositura não encontra vício de iniciativa, encontrando-se na
competência legislativa do Estado de São Paulo.
Referida propositura visa a resguardar inúmeros cidadãos com deficiência visual, haja vista que, no Brasil, já passam
de 3,5 milhões de pessoas, constituindo, pois, uma parcela significativa o mercado, necessitando, assim, de ações
políticas para garantir maior inclusão social.
A adoção do alfabeto criado pelo professor francês Louis Braille em 1825 faz parte das ações de responsabilidade
social de maior primazia a serem adotadas pelo Poder Público.
Em 2009, comemorou-se 200 anos do nascimento do francês Louis Braille cego e criador de um sistema de escrita
especialmente desenvolvida para pessoas cegas, a anagliptografia, que consiste de um conjunto de caracteres
codificados e impressos em relevo, permitindo a leitura através do toque dos  dedos das mãos, pelo tato.
Este sistema constituiu-se num enorme avanço no sentido e integrar pessoas cegas ao convívio com a cultura
escrita, dando-lhes a autonomia para ler e escrever através deste novo código, que se consagrou internacionalmente
e é conhecido como Escrita Braille.
Este Projeto de Lei trata não só de algumas dificuldades cotidianas das pessoas com deficiência visual, mas também
de outras que envolvem a própria segurança física delas, como, por exemplo, a impressão de lista de todos os
medicamentos em Braille, a serem disponibilizadas nas farmácias e drogarias do Estado de São Paulo.
A aprovação deste Projeto de Lei certamente será um passo importante no sentido de popularizar a escrita em Braille
e colaborar para o resgate da cidadania das pessoas com deficiência visual.
Neste sentido, na busca da cidadania e inclusão social das pessoas com deficiência visual, mister se faz a
apresentação e o debate do presente projeto de lei, aguardando que os nobres pares desta Casa Legislativa o
apóiem para sua aprovação.
Sala das Sessões, em 30/11/2010
a) Célia Leão - PSDB

Informação enviada pelo colaborador ALTAIR CAMPANILE

Tecnologia a serviço da educação

Folha Online
07/12/2010

Lousas e mesas digitais facilitam aprendizado de aluno com deficiência

Fabiana Rewald
Guilherme quase não enxerga. Camila não fala. Dennis escreve com dificuldade. Mas, com a ajuda da tecnologia, eles agora aprendem mais facilmente.
Há cerca de um mês, os alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de São Caetano do Sul (Grande SP) dispõem de lousas interativas da HechTech e de mesas educacionais eletrônicas da Positivo, doadas pelo Sesi.
Com as lousas, eles podem desenhar, escrever, acessar a internet e brincar com jogos educativos usando os dedos ou outra parte do corpo. Antes, a lousa comum não permitia a interação, já que muitos não tinham habilidade motora para segurar o giz.
A ferramenta também permite ampliar as letras, facilitando que Guilherme reconheça seu nome, escrito pela professora. E emite sons, que Camila pode compreender.
Rita Spinola Carlota, diretora do Centro de Vivências Especiais, ligado à prefeitura de Ferraz de Vasconcelos (Grande SP), cita outras vantagens da lousa digital.
"Fica mais fácil trabalhar a questão da atenção, da concentração e da coordenação motora fina." O centro, que atende pessoas com deficiência ou dificuldades de aprendizagem, usa equipamentos da Smart Technologies.
Na escola especial Núcleo Aprendizagem e Desenvolvimento (zona sul de SP), a lousa digital também facilitou o trabalho de alunos e professores. "Usamos muito os recursos sonoros", diz a diretora, Sandra Ferrini.
O principal ponto da tecnologia é dar autonomia ao estudante com algum tipo de deficiência, diz Priscilla Selares, do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência).
Ela afirma, no entanto, que a maioria das instituições de ensino ainda não dispõem dos equipamentos que tornam computadores acessíveis, por exemplo.
Pensando nisso, o Projeto F123 começou neste ano a disponibilizar gratuitamente, em seu site (f123.org), os softwares livres que uma pessoa com deficiência precisa para usar um computador, como o de teclado virtual.
Inclusão
Segundo Tadeu Terra, diretor de material digital dos sistemas de ensino (COC e Pueri Domus, entre outros) da Pearson, coisas pequenas podem facilitar a adaptação do deficiente na escola.
Ele cita como exemplos colocar legenda e áudio nos vídeos, pensar em um fundo que facilite a visão e trocar teclados comuns por outros gigantes e coloridos.
Vista como alternativa para casos em que há problemas de mobilidade, a educação a distância também se aprimora, com videoaulas e audiolivros.
"A educação a distância somada à tecnologia é a melhor maneira de encurtar o caminho da inclusão", diz o ex-ministro da Educação Carlos Alberto Chiarelli, diretor do Iesde e presidente da Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância.

Grupo de deficientes encena fragmentos de Shakespeare

Folha Online
07/12/2010

Em "Shakespere eterno", grupo formado por atores com síndrome de Down e deficiência visual mostram recortes de cenas do dramaturgo inglês

Comentário SACINo segundo parágrafo da matéria, o termo utilizado (portadores de deficiência) já caiu em desuso, uma vez que o deficiente não "porta" sua deficiência (afinal, se assim o fizesse, ele teria a opção de deixar de portá-la)
da Redação
O espetáculo "Shakespeare Eterno" acaba de estrear no teatro Ruth Escobar, na capital paulista. A peça é interpretada pela Companhia Teatral Olhos de Dentro, formada por integrantes portadores de deficiência física e visual e síndrome de Down.
O roteiro tem recortes de vários textos de William Shakespeare, adaptados por Carlos Meceni, mas conta com um comentarista (o ator Henrique Taubaté Lisboa), que compartilha os segredos das criações das cenas e as dificuldades do processo.
Com projeções em um telão e jogos de luz e sombra, o espetáculo também é acompanhado pela Filarmônica Jovem de São Bernardo do Campo, sob regência de Daniel César Martins. A direção é de Nina Mancin.

Cegos e surdos reivindicam maior acessibilidade na internet

Gazeta Web
01/12/2010

Lei prevê obrigatoriedade de portais da administração pública serem acessíveis para uso das pessoas com deficiência visual

da Redação
Aos 15 anos, no auge da adolescência, quando costumava jogar bola, ir a shows e ver revista de mulher pelada, Roberto Cabral recebeu uma notícia que mudou sua vida: ficaria completamente cego. Ele, que nasceu com glaucoma - pressão intraocular elevada -, já não possuía a visão do olho esquerdo desde um ano e meio de idade e, segundo os médicos, seu caso era irreversível. Passados o susto e a aceitação da deficiência, o próximo passo de Roberto foi se adaptar. E, como ele, o principal desafio dos quase 30 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência - dados do IBGE 2000 -, no entanto, não é só a adpatação ao meio onde vivem, mas também, o meio se adaptar a eles. O virtual, inclusive.
Alfabetizado com visão monocular, Roberto Cabral, hoje com 39 anos, casado e pai de dois filhos que enxergam normalmente, aprendeu braille em 1987, ano em que participou ainda de aulas de orientação em mobilidade. "Foi um choque para mim porque eu não conhecia a experiência de uma pessoa cega. Essa surpresa me veio com a sensação de perda da liberdade", lembra o funcionário do Ministério Público de Pernambuco, acrescentando que achava impossível um dia aprender o sistema de leitura com o tato para cegos.
O servidor público, que mora em Campo Grande, Zona Norte do Recife, concluiu em 1990 o ensino médio na Escola Estadual Sizenando Silveira, no Centro da cidade, mesma época em que foi contratado por uma empresa terceirizada ao antigo Bandepe, onde ele fazia estágio de telefonista. Por "necessidade de se qualificar mais", prestou vestibular para direito na Faculdade Maurício de Nassau, sendo graduado em 2008.
Segundo Cabral, uma das maiores dificuldades que teve durante o curso e que continua enfrentando até hoje foi a falta de acessibilidade na internet para quem, como ele, possui deficiência visual. Apesar disso, o servidor público, que usa os sistemas de leitores de tela Jaws e DosVox, consegue utilizar o computador com independência. "Eu envio e recebo e-mails, acesso páginas da internet, faço pesquisas e baixo músicas", comenta. No entanto ele reclama que "nem todos os programadores fazem páginas acessíveis".
O mestrando em Ciência da Computação Lucio Poncioni, autor do estudo "Como a falta de acessibilidade na web pode afetar os portadores de deficiência visual", concorda com Roberto Cabral e explica que a grande parte dos webdesigners não está preparada para produzir sites voltados a pessoas com necessidades especiais.
Não apenas para deficientes visuais...
Fátima Azevedo, 42, possui deficiência auditiva progressiva e bilateral, juntando-se a um universo de cerca de 5,75 milhões de brasileiros surdos (IBGE 2000). "Nem sempre os vídeos ou áudios na internet têm legenda ou alguma outra alternativa de conteúdo visual", reclama a professora, que começou com o problema apresentando uma ligeira perda de audição, aos 12 anos, após um acidente de carro.
O Decreto Lei 5296, de 2004, também chamado "Lei da Acessibilidade", prevê a obrigatoriedade da acessibilidade nos portais e sites da administração pública na internet, para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual, garantindo-lhes o pleno acesso às informações disponíveis, como é o caso dos sites da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Educação. As páginas eletrônicas privadas, entretanto, não têm ainda uma regulamentação oficial, embora possuam manuais de acessibilidade que orientam uma melhor navegação para os deficientes.
Para Poncioni, "a acessibilidade inspira os programadores e, principalmente, os webdesigners a criarem layout para pessoas que talvez nunca poderão elogiar a beleza gráfica, mas, sim, a boa navegabilidade e usabilidade do produto". Um site acessível exclui tudo o que não pode ser lido pelos sintetizadores de voz ou que não está na documentação do WCAG 1.0 (Web Content Accessibility Guidelines 1.0), criado pela W3C (World Wide Web Consortium), consórcio internacional que visa desenvolver padrões para a criação e a interpretação de conteúdos para a Web. Segundo o programador, "devem ser removidas informações desnecessárias, como imagens, frames, iframes, animações em flash, janelas pop-ups, folhas de estilo e banners publicitários".

Tribunal de justiça adia processo de Telma Nantes para o próximo dia 13

Capital News
Campo Grande - MS, 02/12/2010

A pedagoga cega aprovada em concurso da rede pública e impedida de assumir o cargo ainda briga pelo reconhecimento

da Redação
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, adiou nesta terça-feira, dia 30 de novembro, o processo de verificação de tutela da pedagoga e presidente da ISMAC (Instituto Sul Mato-Grossense para Cegos “Florisvaldo Vargas”), Telma Nantes, sendo remarcada para o próximo dia 13 de dezembro, com horário a definir.
Telma foi aprovada em primeiro lugar no concurso de provas e títulos para professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) da Capital, mas foi impedida de assumir o cargo, sendo considerada inapta pela comissão de avaliação.
A pedagoga afirma que continuará lutando pela briga das pessoas com deficiências audiovisuais no Brasil e que não podia se acovardar mediante ao fato.

Estudo britânico descobre forma de 'reparo' da esclerose múltipla

G1
07/12/2010

Pesquisa feita em ratos mostrou que células-tronco do cérebro do paciente podem ajudar no processo

da Redação
Cientistas britânicos identificaram uma forma de estimular o sistema nervoso a regenerar-se nos casos de esclerose múltipla.
Os estudos, publicados na revista "Nature Neuroscience", foram realizados em ratos nas Universidades de Cambridge e Edimburgo, na Escócia. A pesquisa identificou uma forma de ajudar as células-tronco no cérebro a reparar a camada de mielina, necessária para proteger as fibras nervosas.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que destrói a mielina, uma camada que isola as fibras do sistema nervoso central, causando sintomas como visão embaçada, perda de equilíbrio e paralisia.
Em cerca de 85% dos casos, os pacientes têm uma forma de esclerose múltipla chamada de recaída/remissão, na qual as 'crises' que incapacitam a pessoa são seguidas de uma recuperação de um nível da função física perdida. Nesta forma da doença, parece haver um reparo natural da mielina.
Mas cerca de 10% das pessoas são diagnosticadas com a forma progressiva da esclerose múltipla, na qual o declínio avança sem qualquer período de recuperação.
Além destas pessoas, os pacientes com a forma recaída/remissão da doença também podem desenvolver a chamada esclerose múltipla progressiva secundária, que afeta o paciente da mesma forma que a progressiva.
Os cientistas têm tentado desenvolver tratamentos justamente para estes dois grupos.
Regeneração
Nos casos de esclerose múltipla, a perda da camada de mielina, que funciona como uma camada de isolamento, leva ao dano nas fibras nervosas do cérebro.
Estas fibras são importantes por enviarem mensagens para outras partes do corpo.
A pesquisa britânica identificou uma forma de estimular as células-tronco do cérebro para que elas regenerem estas fibras. E também mostraram como este mecanismo pode ser explorado para fazer com que as células-tronco do cérebro melhorem sua capacidade de regeneração da mielina.
Com isso, os cientistas esperam poder ajudar a identificar novos medicamentos que estimulem o reparo da mielina nos pacientes que sofrem com a doença.
'Esta descoberta é muito animadora, pois pode abrir o caminho para elaborar medicamentos que vão ajudar a reparar o dano causado a camadas importantes que protegem as células nervosas no cérebro', afirmou o professor Charles French-Constant, da Sociedade para Pesquisa em Esclerose Múltipla da Universidade de Edimburgo.
'Terapias que reparam o dano (causado pela doença) são o elo perdido no tratamento da esclerose múltipla', afirmou o professor Robin Franklin, diretor do Centro para Reparo de Mielina na Universidade de Cambridge.
'Neste estudo identificamos um modo pelo qual as células-tronco do cérebro podem ser estimuladas a fazer este reparo, abrindo a possibilidade de um novo medicamento renegerativo para esta doença devastadora', acrescentou.
Anos
Instituições de caridade britânicas, voltadas para tratamento de esclerose múltipla, afirmaram que, apesar de ser uma notícia animadora, ainda serão necessários alguns anos antes de um tratamento ser desenvolvido.
'Este é o começo de um estudo, em roedores, mas será muito interessante observar como se desenvolve', afimou Pam Macfarlane, diretora-executiva da instituição de caridade voltada para pacientes com esclerose múltipla MS Trust.
A pesquisa britânica foi financiada por instituições americanas, a MS Society e National MS Society.
'Para pessoas com esclerose múltipla esta é uma das notícias mais animadoras dos últimos anos', afirmou Simon Gillespie, diretor-executivo da MS Society.
'É difícil colocar em palavras como esta descoberta é revolucionária e como é importante continuar com as pesquisas em esclerose múltipla.'

Hospital Menino Jesus terá atendimento para crianças com fissura labial

Estadão
São Paulo - SP, 07/12/2010

Bebês nascidos na rede pública municipal com o problema serão encaminhados para a instituição

da Redação
O Hospital Municipal Infantil Menino Jesus inaugura nesta terça-feira, 7, um novo fluxo que permitirá que todos os bebês nascidos na rede pública municipal - pelo Programa Mãe Paulistana - e apresentem fissura labiopalatal (como lábio leporino) sejam encaminhados ao ambulatório da instituição.
Antes mesmo da alta da maternidade, os bebês terão consulta marcada com o cirurgião plástico que avaliará os casos, possibilitando tratamento completo, com avaliação multidisciplinar de nutricionista, psicólogo, fonoaudiólogo e cirurgião.
O novo projeto é fruto de um planejamento estabelecido entre o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL) e a Secretária Municipal da Saúde de São Paulo.
Problema atinge 1 em cada 1,6 mil
A fissura lábiopalatal é uma malformação ligada principalmente às condições nutricionais da gestante e pode trazer, além de problemas estéticos, dificuldades de respiração, mastigação e dicção. Dados da Central de Informações da Prefeitura de São Paulo indicam que a incidência é de um para cada 1,6 mil nascimentos.
O tratamento é cirúrgico, e um dos principais serviços da cidade encontra-se no Menino Jesus, único hospital pediátrico municipal, administrado pelo IRSSL. No local, são realizadas atualmente cerca de 16 operações por mês. O hospital fica na Rua dos Ingleses, 258, Bela Vista, São Paulo, SP.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Significados e implicações do dia 3 de Dezembro

Rede Saci
03/12/2010

Artigo comenta políticas públicas e o trabalho de pessoas e orgãos empenhados na promoção da acessibilidade e inclusão

Wiliam Machado
É chegado mais um 3 de dezembro, “Dia Internacional da Pessoa com Deficiência”, cujo significado primordial remete ao incansável trabalho de luta nos fóruns das lideranças institucionais desse segmento organizado da sociedade, mundo afora. Empreitadas humanitárias focadas no sensibilizar para a inclusão com respeito as diferenças de forma e performance corporal e/ou sensorial, não obstante as resistentes barreiras de diversas ordens que cerceiam avanços mais objetivos no campo das conquistas político-sociais.
Num outro viés desse movimento milhões de pessoas anônimas mergulham-se no incessante pulsar de vidas dedicadas ao cuidado incondicional, militando nos bastidores da vida cotidiana. Refiro-me aos pais, familiares e pessoas significativas envolvidas diretamente no dia a dia das pessoas com deficiência, em particular, aquelas com seqüelas severas que redundam em quadros de incapacidade funcional e sensorial.
Abnegados pais, mães, irmãos, tios, entre outros familiares e/ou pessoas significativas que dedicam seus tempos e vidas para se dedicar integralmente aos seus entes deficientes. Nossos irmãos, se nos considerarmos membros da Grande Família Humana Terrestre.
No plano do reconhecimento político local, na cidade de Três Rios/RJ, contabilizamos avanços expressivos. A criação da Secretaria do Idoso e da PcD em si só exprime grande preocupação do Executivo Municipal para investir pesado na inclusão desses dois segmentos da sociedade. A propósito, somos pioneiros no Estado do Rio de Janeiro, embora cidade do interior, já dispomos de dotação orçamentária de significativo porte para o planejamento, execução e avaliação de unidades assistenciais e de saúde, por exemplo. paradigma dominante de compreender a quedtos Munic
Nossa Unidade Planeta Vida (www.planetavidatresrios.blogspot.com) concentra variedade de atendimentos profissionais nas áreas de saúde, esporte e lazer, ginástica artística, educação especial, inclusão digital, entre outros. Temos sucessivamente avançado com indicadores de produção na ordem de 9.000 atendimentos/mês. Da mesma forma, em pleno funcionamento no Planeta Vida a campanha municipal de protetização, através da qual famílias de baixa renda recebem cadeiras de rodas, cadeiras higiênicas, andadores, bengalas e demais instrumentais auxiliares de locomoção para atender necessidade de idosos e pessoas com deficiência.
Esmerados esforços temos empenhado em termos de encaminhamento de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho, inclusive, preparando-as para assumir postos destacáveis nas empresas, em cumprimento a Lei de Cotas.. Temos consciência que nesse campo ainda temos muito a construir em articulação com o empresariado, compartilhando experiências e responsabilidades.
É importante frisar que o trabalho da Secretaria do Idoso e da PcD não fica restrito aos milhares de atendimentos/mês do Planeta Vida. Contamos com o empenho da equipe do Centro Dia para Idosos (www.centrodiaparaidosos.blogspot.com), nossa unidade assistencial e de saúde que atende idosos de famílias de baixa renda, nas quais os entes precisam sair para o trabalho e diariamente deixam seus idosos sob nossos cuidados.
Por fim, reiterar que nada disso estaria sendo realizado não fosse a seriedade política e sensibilidade humanística do nosso Prefeito Vinícius, do seu vive José Ricardo e de toda equipe de governo.
Que o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência não passe sem avaliação e reconhecimento de que estamos transformando a vida dessas pessoas.

Com o corpo em movimento

Kinect, o novo acessório da Microsoft, desperta a atenção de pessoas com Down e Autismo

Diogo Silva
Uma tecnologia que promete revolucionar a forma de interação com os jogos eletrônicos chegou às lojas brasileiras no dia 16 de novembro. Trata-se do Kinect, um acessório para o videogame Xbox 360, da Microsoft, que permite a utilização dos movimentos de todo o corpo para jogar, o que dispensa a necessidade do uso de controles convencionais.
O aparelho possui sensores de movimento e profundidade que realizam o trabalho de traduzir os movimentos corporais em ações nos jogos. Por exemplo, ao dar um passo para o lado, o jogador faz com que o boneco que o representa na tela faça o mesmo movimento.
Entre as muitas notícias envolvendo o lançamento do aparelho, duas se destacam. Nelas, são relatadas experiências de pessoas com autismo ou síndrome de down que conseguiram manter a atenção e interagir com os jogos por meio do Kinect.
O dono do portal norte-americano especializado em games Gaming Nexus, John Yan, publicou um texto em seu site Gaming Nexus onde relata a experiência dele e de seu filho de 4 anos de idade, diagnosticado com autismo, ao experimentarem o aparelho.
De acordo com Yan, os jogos de videogames convencionais acabavam decepcionando seu filho devido à dificuldade dele em operar os controles. Ao colocar o jogo “Rally Ball”, porém, onde o objetivo é bater em bolas para que elas atinjam determinados alvos, a reação de seu filho foi inesperada. “Ele pulava por todos os lados e balançava seus braços e pernas tentando socar as bolas de volta nos blocos. (...) Pela primeira vez, eu pude jogar algo com meu filho e não passar tempo algum com ele ficando frustrado por não conseguir fazer nada, ou ter um personagem travado numa tela. Ele se divertiu com todos os jogos e de fato se deu bem em todos eles. A alegria em seus olhos enquanto ele era capaz de completar as tarefas e se mover pelos menus é algo que eu nunca vou esquecer”, diz Yan em seu relato.
A outra notícia vem do Brasil. O desenvolvedor de sistemas Arilson Carmo, da cidade de Bauru, no interior de São Paulo, postou no site Portal Xbox 360 o envolvimento de seu irmão Adalberto Carmo, de 32 anos, com Síndrome de Down, com o aparelho e o jogo “Rally Ball”.
Ao despedir-se de Arilson, que estava jogando, para ir à escola, Adalberto percebeu que o boneco na tela imitava os seus movimentos. No mesmo momento, ele começou a bater nas bolas virtuais e a interagir com o jogo. Segundo Arilson, a atitude do irmão emocionou toda a família. “Ficamos impressionados com essa tecnologia, que pode vir a ajudar pessoas não só com Síndrome de Down, como também com outras deficiências. Toda vez que meus amigos chegam em casa, eles colocam o jogo e ele chega e joga sem problemas”, diz Arilson.
O desenvolvedor de sistemas também relata o caso de um jovem da região que, por não ter os dedos da mão esquerda, sentia-se isolado dos demais por não conseguir manipular um controle convencional. Com o Kinnect, porém, ele passou a competir de igual a igual com seus amigos. Arilson já sonha com a possibilidade da criação de jogos direcionados especialmente para as pessoas com deficiência. “Imagine um jogo brasileiro, conciliando música, arte e um bom exercício para cada tipo de deficiência conhecida”, comenta Arilson.
Procurada para comentar o assunto, a Microsoft, por meio de sua assessoria, informou que ainda não há uma posição da empresa em relação a esses casos.
A gerente técnica da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo, Marília Costa, demonstrou interesse em levar o aparelho aos atendidos pela entidade. "A nova tecnologia trazida pelos jogos eletrônicos interativos, manipulados sem o uso de controle, como, por exemplo, o Kinect, é uma ferramenta que vem demonstrando uma boa contribuição no desenvolvimento das habilidades e na estimulação da pessoa com deficiência intelectual. No momento, porém, ainda estamos em busca de parceiros a fim de captar recursos, para que possamos propiciar essa experiência também aos atendidos da APAE de São Paulo", diz Marília.

Histórias de bichos que atuam como terapeutas

R7
02/12/2010

Animais mostram que podem ser muito mais do que mascotes de humanos

da Redação
Fofinhos, leais, animados, corajosos. Além de tudo isso, os cachorros podem ser úteis para ajudar deficientes visuais a se locomover com segurança pela cidade. São ainda um dos poucos meios de despertar o interesse de portadores de autismo.
Cavalos também são excelentes terapeutas. Promovem a melhora no equilíbrio, na sociabilidade e na coordenação motora de portadores de paralisia cerebral e síndrome de Down, por exemplo. Tanto que há uma técnica de fisioterapia realizada especificamente com a ajuda desses belos animais: a ecoterapia.
Casos de parceria bem-sucedida entre animais e médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas são muitos. Bichinhos são muito úteis para combater casos de depressão, mal de Alzheimer e outros malese que atigem principalmente pessoas idosas.

Curso de Acessibilidade e Mobilidade Urbana será realizado em Sinop

Olhar Direito
Sinop - MT, 02/12/2010

Município mato grossense oferece cursos para engenheiros, técnicos e estudantes da área de construção civil

da Assessoria de Imprensa
Curso de Acessibilidade e Mobilidade Urbana será realizada em Sinop, na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O curso é gratuito e será realizado entre os dias 3 e 4 de dezembro, das 8h às 18h. São oferecidas 35 vagas, sendo 10 para estudantes e 25 para profissionais do sistema tecnológico.
As inscrições devem ser realizadas no site do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-MT) - http://www.crea-mt.org.br/novo/. No caso de profissionais que não residem na cidade de Sinop, mas desejam participar do evento, é necessário entrar em contato pelos telefones (65) 8136-9608 ou (65) 9922-9654 ou pelo e-mail amcegos@uol.com.br.
O curso têm como público-alvo engenheiros, técnicos, arquitetos, tecnólogos da área de construção e estudantes.

Homem de 55 anos se submete a testes com células-tronco embrionárias

Folha Online
23/11/2010

Americano com distrofia macular será um dos primeiros participantes do segundo teste clínico realizado com células-tronco em humanos

da Redação
Christopher Goodrich, morador de Portland, Oregon, mal pode esperar para que lhe enfiem uma agulha no olho.
Ele pretende se tornar um dos primeiros participantes de um teste clínico recém-aprovado pelas autoridades norte-americanas. É apenas a segunda experiência em humanos com células-tronco embrionárias a ser aprovada no mundo.
O pequeno laboratório Advanced Cell Technology, de Massachusetts, começará a recrutar 12 pacientes de Oregon e Massachusetts que sejam portadores da rara distrofia macular de Stargardt.
Goodrich, 55, aposentou-se no ano passado de um cargo administrativo na Universidade Estadual de Portland por causa de um súbito e inexplicável agravamento da sua doença.
Como a maioria das vítimas, ele vinha sofrendo uma gradual piora na visão desde o começo da idade adulta. "Óculos ajudam pouquíssimo", disse Goodrich por telefone. Ele explicou que, por causa da distrofia macular, enxerga tudo "estilhaçado". "Consigo ver alguma coisa com o canto do olho, aí viro e cabeça e não vejo."
Agora, a esperança dele é que os médicos injetem células-tronco embrionárias no seu olho, e que elas se instalem e substituam as células danificadas.
"Já fiz uma lista de tudo o que eu adoraria fazer e tudo o que eu adoraria ver", disse Goodrich.
Esta é a promessa mais imediata das pesquisas com células-tronco embrionárias, que essas células imaturas possam ser "instruídas" a se tornarem um determinado tecido, e que induzam outras células a crescerem e se renovarem.
O produto da Advanced Cell Technology é uma célula-tronco embrionária humana "treinada" para se tornar uma célula da retina.
No primeiro teste clínico, algumas centenas de células serão injetadas em um olho de cada voluntário, basicamente para ver se isso é seguro.
A distrofia macular de Stargardt afeta entre 30 mil e 50 mil norte-americanos, segundo a Fundação Americana da Degeneração Macular, mas a Advanced Cell Technology cobiça um mercado muito maior se o teste der certo --o de pacientes com degeneração macular causada pela idade.
Essa condição, que pode levar à cegueira, afeta mais de 30 milhões de pessoas no mundo, e é a principal causa de perda da visão entre pessoas com mais de 60 anos nos EUA.

Cérebro de autista é palco de 'cópia e cola de genes', diz biólogo brasileiro

G1
24/11/2010

Novo trabalho de Alysson Muotri detalha genética da Síndrome de Rett

da Redação
O cérebro de crianças com Síndrome de Rett, uma das formas de autismo, apresenta um aumento da atividade de “genes saltadores”. Genes saltadores são sequências de DNA repetitivas no genoma que aparentemente não têm nenhuma função, e por isso ganharam o apelido de “junk DNA” (DNA lixo). Eles se multiplicam no genoma neuronal através de um mecanismo de “copiar e colar”, aumentando o número de sequências no DNA.
A descoberta é do biólogo molecular Alysson Muotri. Sua pesquisa, realizada em parceria com Carol Marchetto nos Estados Unidos, sai na edição desta semana da revista científica “Nature”
“O que temos ainda não é a prova de que a atividade de genes saltadores causa autismo ou outras doenças neurológicas em humanos. Temos apenas uma correlação, mas uma correlação completamente inesperada”, diz Alysson. “Se os genes saltadores estiverem realmente envolvidos com doenças mentais, o bloqueio dessa classe de genes abre nova perspectiva para tratamentos. Nossa descoberta revela um novo mecanismo molecular que pode ser fundamental para entender o espectro autista.”
Passo a passo
No sistema nervoso, os genes saltadores são “silenciados” pelo gene MeCP2. São justamente mutações no MeCP2 que causam Rett. "O que temos ainda não é prova de que a atividade de genes saltadores causa autismo. Temos apenas uma correlação, mas uma correlação completamente inesperada", diz Muotri.
Com isso em mente, o grupo criou um camundongo transgênico com mutações no gene MeCP2 e um "marcador" em um dos genes saltadores: quando ele saltava de uma região para outra do genoma, ativava uma proteína que fazia o neurônio ficar fluorescente. “Ao analisarmos o cérebro desses animais, descobrimos que estavam cheios de neurônios fluorescentes, muito mais do que em camundongos que tinham o gene MeCP2 intacto", explica Muotri.
Confirmação
O fenômeno foi confirmado em humanos. Para isso, foram usadas células iPS. Foi feita uma biópsia de pele de pacientes autistas e de pessoas sem a condição. Depois, as células da pele foram reprogramadas para células de pluripotência induzida (iPS) – idênticas às células-tronco embrionárias, mas não extraídas de embriões. “Pluripotência” é a capacidade de toda célula-tronco de se especializar, ou diferenciar, em qualquer célula do corpo.
A reprogramação genética de células adultas é feita por meio da introdução de genes. Eles funcionam como um software que reformata as células, deixando-as como se fossem de um embrião. Assim, as iPS também podem dar origem a células de todos os tipos, o que inclui neurônios.
Como os genomas dessas iPS vieram tanto de portadores de autismo como de não portadores, no final são obtidos neurônios autistas e neurônios saudáveis. “Ao induzirmos a diferenciação neuronal, observamos um maior número de saltos nos genomas autistas”, conta Muotri. Os resultados foram reconfirmados usando cérebros post mortem de pacientes e de controles (não afetados).
“Esse fenômeno pode explicar características individuais, como criatividade ou outras habilidades do espectro autista, explicando a persistência dessa condição na população humana durante a evolução. Isso é revolucionario”, conclui Muotri.

Futebol para ver e sentir

Museu do Futebol
São Paulo - SP, 24/11/2010

Museu do Futebol oferece um imersão cognitiva e sensorial em seu acervo para visitantes com deficiência

da Redação
O dia 3 de dezembro foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e tem, como um dos principais objetivos, estimular a reflexão sobre seus direitos. Pensando nisso, o Museu do Futebol oferecerá uma imersão cognitiva e sensorial para a conscientização sobre a importância da acessibilidade.
Da mesma forma que o futebol tornou-se um esporte tão popular por permitir que fosse praticado por qualquer pessoa, utilizando qualquer material e apropriando-se de qualquer lugar, porque um museu não poderia ser um espaço acessível, adaptando seu acervo e conteúdo para que todos tivessem acesso à aprendizagem e ao conhecimento?
Diante disso, o Núcleo de Ação Educativa, por iniciativa de seus educadores, estará nas salas do museu apresentando os materiais e os projetos desenvolvidos pelo PAMF (Programa de Acessibilidade do Museu do Futebol), refletindo com os visitantes sobre as possibilidades que oferece para as pessoas com deficiência e sobre a experiência adquirida no Projeto Deficiente Residente.

São Paulo tem só 35 táxis acessíveis para uso de cadeirantes

24 Horas News
23/11/2010

Apesar de ser um programa oficial da Prefeitura de São Paulo, os taxis acessíveis não receberam a atenção necessária do poder público para que pudessem continuar a circular e se propagar

da Redação
Lançado com alarde pela Prefeitura de São Paulo no início de 2009, o programa de táxis acessíveis patina. De 80 alvarás previstos para carros adaptados, só 35 estão em uso --a frota de táxis na cidade é de 32.611 veículos e o número de pessoas com deficiências supera 1 milhão.
Os motoristas reclamam que, além de terem de gastar R$ 32 mil em adaptações, acabam punidos pelo poder público: muitos passaram a pagar IPVA, imposto do qual o taxista paulistano é isento.
Quando o programa começou, o taxista Marcelo Freitas, 38, foi um dos primeiros a circular com seu carro de teto elevado, piso especial e elevador para cadeirantes.
Há um mês, pensou: "Deixa eu sair logo, enquanto dá tempo". Desistiu do negócio. "Estava dando prejuízo e dor de cabeça, eu não queria ficar com o nome sujo", diz.
Não existe divulgação dos serviços nem pontos de atendimento especiais. Dos 35 táxis adaptados, dez são motoristas autônomos e 25 fazem parte de frotas, segundo a prefeitura.
De acordo com Ricardo Auriemma, 40, presidente da associação das frotas de táxi, o serviço ainda não dá lucro, mas também já não dá mais prejuízo para as empresas.
Pessoas com deficiência que querem ou precisam usar táxi acessível agendam a corrida até um dia antes para não ficarem na mão.
A analista de sistemas Sandra Maciel, 64, vice-presidente de uma ONG voltada para deficientes visuais, não consegue usar outro tipo de veículo, por causa da má formação óssea congênita que fragiliza seu corpo. "A rotina é ficar esperando", diz ela.
O problema já foi constatado pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida há cerca de um ano, segundo o chefe da pasta, Marcos Belizário.
Para ele, todos taxistas e usuários têm razão. Ele defende que se faça um novo sorteio de alvarás, com novas regras, atendendo a algumas das demandas dos taxistas, como criação de pontos em locais estratégicos, como hospitais e clínicas de reabilitação e subsídio inicial.
Segundo ele, a proposta já foi levada à Secretaria Municipal dos Transportes, responsável pelas mudanças.
A pasta dos Transportes afirma que os pontos específicos para táxis acessíveis estão em estudo, mas descarta dar subsídio na semana passada houve uma primeira reunião com a categoria.
A secretaria não comentou a falta de adesão ao projeto.
A Secretaria de Estado da Fazenda disse que os taxistas voltaram a pagar o IPVA porque, na hora da adaptação, a empresa que fez o serviço classificou o veículo indevidamente como "misto", submetendo-o ao imposto.
Motoristas que tiveram esse problema podem pedir a isenção, que passará a valer para o exercício seguinte.

Aprovado valor limite para carro adaptado

Projeto aprovado pela Câmara dos Deputados propõe ainda que as montadoras concedam aos veículos adaptados as mesmas garantias dos veículos convencionais

da Redação
O valor dos veículos adaptados para portadores de deficiência não poderá ultrapassar mais de 10% do valor de um veículo convencional equivalente. A proposta foi aprovada na última semana pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.
O projeto aprovado (PL 2190/07) é um substitutivo do deputado Dr. Ubiali (PSB-SP) ao texto original, do deputado Márcio França (PSB-SP). Pela proposta, as montadoras devem conceder aos veículos adaptados as mesmas garantias oferecidas aos veículos convencionais.
A medida ainda será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Casa.
Obrigatoriedades
O projeto de lei ainda estabelece outras obrigatoriedades às montadoras, como a de produzir, no mínimo, três veículos adaptados a pessoas com deficiências a cada mil veículos fabricados, de cada modelo ofertado.
Todas as obrigações previstas na proposta valem tanto para as montadoras como para as importadoras de veículos ou empresas especializadas na instalação de kits de adaptação.
Para Ubiali, a medida tem a intenção de garantir a disponibilidade de veículos adaptados às pessoas que podem e querem comprar carros novos. Ele ainda lembra de outros incentivos para que os portadores de deficiências possam adquirir um veículo, como a isenção de IPI (Imposto de Produtos Industrialiados) a que tem direito esse tipo de veículo.
A medida tramita em caráter conclusivo, ou seja, não precisa ser votado em Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-la.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ARTIGO: Educação Inclusiva e Deficiência Visual: Algumas Considerações

Educação Inclusiva e Deficiência Visual: Algumas Considerações
Inclusive Education and Visual Impairment: Some Considerations

Bento Selau
Carlise Inês Kronbauer
Priscila Pereira

 Resumo
 Põe-se em questão o trabalho pedagógico na perspectiva inclusiva, mormente para as crianças com deficiência visual. Tem-se como propósito perceber as possibilidades educativas de criar e recriar das pessoas visualmente normais, ao lado de alunos com deficiência da visão, pessoas estas que são parte real de um complexo processo de mudanças na escola, geradas em meio a incertezas, vontades e esperanças.

 ABSTRACT
 The pedagogical work is here called into question from the inclusive perspective, mainly for children with visual impairment. Its purpose is to perceive the educational possibilities of creating and recreating in sighted people, together with those of visually impaired students, persons who are real parte of a complex process of school changes, which are generated among uncertainties, wills and hopes.

           A proposta da educação inclusiva não trata de colocar na escola regular parcelas de alunos da educação especial, mas, oferece oportunidades para que todas as crianças tenham possibilidades reais de construção do seu conhecimento, interagir com outras, desenvolver suas potencialidades, preparar-se para a vida, a independência e a liberdade para viver e conviver em sociedade. Isso indica que as pessoas com deficiência visual1 devem ter garantido seu espaço na escola, substancialmente com uma proposta pedagógica que dê conta das necessidades que alunos ditos normais e alunos com deficiência visual juntos, em uma sala de aula, demandam.
      Assim, põe-se em questão o trabalho pedagógico na perspectiva inclusiva, mormente das crianças com deficiência visual no espaço educativo. Tem-se como propósito perceber o conjunto de possibilidades educativas de criar e recriar dos alunos visualmente normais, e ao lado de alunos com deficiência da visão, uma vez que são parte real de um complexo processo de mudanças, geradas em meio a incertezas, vontades, angústias e medos. Este caminho, guia-se pela vivência  de Carlise Inês Kronbauer enquanto pessoa cega e seu interesse e aprofundamento teórico por essa área de estudo.Os depoimentos de sua trajetória pessoal na escola regular conferem valor ao artigo. O trabalho leva em conta a experiência de Bento Selau como professor da Educação Básica e Superior que se envolve com alunos em educação inclusiva e pesquisador interessado nos estudos desta área. Priscila Pereira contribui com seus estudos sobre o Projeto Mecdaisy e o trabalho que tem realizado em sua iniciação científica.
       Para que se possa compreender melhor a temática que se propõe, serão revistos alguns pontos, que tratam principalmente sobre: a importância do trabalho em grupo em sala de aula para todos os alunos; a tarefa docente e suas especificidades; as necessárias adaptações pedagógicas; o acesso ao mundo “virtual”. As discussões apresentadas não pretendem encerrar o assunto, pelo contrário: o debate está aberto e suscita ainda diversos estudos e, sobretudo, a prática inclusiva para todos os estudantes.
Importância  do trabalho em grupo na sala de aula
        O trabalho em grupo na sala de aula é significativo para todos os alunos, principalmente quando se têm alunos com necessidades educacionais especiais com deficiência visual. O pensamento sobre grupos se aproxima das idéias de Vygotski (1997). Os escritos deste autor apontam a função importante do social  na  conformação das  funções psíquicas superiores2, independentemente se estas funções estejam presentes em pessoas consideradas normais ou pessoas mentalmente deficientes. Tal  força  tem o  relacionamento com os outros que, segundo Vygotski, em primeiro lugar, a função psíquica aparece no processo de desenvolvimento como função da conduta coletiva, como forma de colaboração ou interação com os demais para, em segundo lugar, aparecer como processo interior. A noção sobre a importância da formação de grupos em educação inclusiva foi defendida recentemente por Selau que aponta que
se os alunos se envolverem, trocarem informações, participarem juntos em atividades, está-se posto um momento importante para o desenvolvimento das crianças, principalmente para aquela que tiver alguma necessidade especial. Por isto acredita-se que a educação escolar inclusiva que não fomente a colaboração entre seus participantes pouco valor tem (2007, p. 10).
     Especificamente, para a criança com deficiência visual, Vygotski (1997) cita que a falta de visão não é impedimento para que ela desenvolva domínios conceituais. Afirma que não serão os exercícios táteis que possibilitarão a construção das representações mentais: mais do que isto, é importante o estabelecimento de círculos estáveis de interação social, através dos quais os conceitos serão desenvolvidos. Assim, “el concepto (...), como todos los procesos psicológicos superiores, no se desarrolla de otro modo que en el proceso de la actividad colectiva del niño3” (VYGOTSKI, 1997, p. 230).
      Será que estas noções teóricas estão sendo levadas em conta quando se organiza a atividade das crianças na sala de aula no ensino regular com a presença de crianças cegas? A vivência de Carlise oferece algumas noções que indicam que esta é uma preocupação que deveria estar mais presente durante o planejamento de ensino dos docentes:
No ensino regular os professores passavam a matéria no quadro e não trabalhávamos muito em grupo. Eu escrevia lentamente em braille, com reglete, e não conseguia acompanhar os colegas. Então, pegava um caderno emprestado e copiava em casa, ou tirava xerox, práticas que não oportunizavam as interações sociais que, mais tarde, pude vivenciar no Ensino Superior.
    Propor que os alunos trabalhem em grupos não significa anular outros tipos de organização social das atividades escolares. Os métodos de ensino devem se adequar às capacidades dos alunos, ao conteúdo de cada disciplina e garantir a atividade dos estudantes. Nesse sentido, é importante que sejam alternados o trabalho individual e o trabalho em grupo, exigindo-se, no trabalho individual, que cada um enfrente os desafios com seus recursos, limites e possibilidades e que, no trabalho em grupo, ao mesmo tempo em que se revelem as capacidades intelectuais, sejam reveladas também as sociais, no desenvolvimento da responsabilidade perante o trabalho coletivo e no auxílio aos demais colegas. Estas noções são importantes, também, para as pessoas cegas, mesmo se utilizam, muitas vezes, recursos diferenciados para sua aprendizagem, tais como programas leitores da tela do computador e escritos em braille.
A tarefa docente
     No atendimento às necessidades especiais das pessoas cegas na escola regular é indispensável que instituição e professor se organizem para recebê-las, pois a simples  presença  de  uma  criança  com  deficiência visual em sala de aula não configura a inclusão que se propõe com esperada qualidade. Deve haver a preocupação com os conhecimentos com os quais esta criança vai lidar, com a interação com os colegas  e  professores,  com  o  deslocamento  da  criança pela sala de aula, pela escola, no relacionamento com as famílias, com a proposta pedagógica, com a formação dos professores. Sem uma estrutura racionalmente organizada para tal, podem ocorrer situações desnecessárias ou até mesmo constrangedoras, que não auxiliam o processo educativo do aluno cego nem mesmo dos demais estudantes. Carlise relata exemplos práticos de um processo pedagógico não muito bem elaborado:
Quando era estudante da Educação Básica, possuindo baixa visão, vivenciei constrangimentos causados por práticas pedagogicamente incorretas: ser orientada a localizar informações em mapas expostos no mural da sala de aula, situação acompanhada pela repreensão da professora, pelo fato de não conseguir atender à sua expectativa e chacotas de colegas insensíveis à minha deficiência; sem contar as ocasiões em que, já com a perda total da visão, os professores, sem aviso prévio, apresentavam materiais em vídeo legendado, sem a devida tradução oral dos mesmos. À época, sentia-me entristecida, mas, por não saber defender meus direitos e propor alternativas, mantinha-me passiva ante a situação.
   Situações como as descritas apontam para a necessidade de formação dos professores, aspecto este que merece ênfase quando se aborda a inclusão. Muitos professores sentem-se inseguros e ansiosos diante da possibilidade de receber uma criança com necessidades especiais na sala de aula. Há uma queixa geral de estudantes de licenciaturas e professores: “Não fui preparado para lidar com crianças com deficiências!” Contudo, na última década, a formação de professores para a educação inclusiva tem recebido mais atenção e estímulo, seja por meio de modalidades de educação à distância, formação continuada ou formas de estímulo à autonomia intelectual do professor. No cerne da formação, torna-se necessário explicitar os conceitos de inteligência, ensino e aprendizagem. Os docentes precisam desenvolver a concepção da inteligência humana, entendendo-a como um processo mutante e sócio-histórico; de um ensino capaz de alcançar todos os participantes de uma sala de aula; de aprendizagem compreendida como atributo de qualquer pessoa, independente das suas potencialidades ou dificuldades, assim considerando que qualquer pessoa aprende.
     O aprofundamento teórico do professor deve decorrer, inicialmente, da necessidade que a prática na sala de aula impõe, das demandas concretas de alunos que já estão inseridos nela. O professor não tem como saber, “a priori”, tudo sobre todas as deficiências, para atender qualquer aluno que procure a escola, mesmo porque as características das deficiências mudam e se alteram conforme o indivíduo. Não se pode afirmar que a experiência direta e a interação com pessoas com deficiência visual sejam requisitos prévios para o desenvolvimento do processo de inclusão em uma escola, no entanto ela pode favorecer a eliminação de alguns preconceitos. É fundamental, nesse sentido, que cursos de formação de educadores propiciem o contato com pessoas com necessidades especiais, por meio da realização de estágios em escolas inclusivas ou a instituições especializadas, e entrevistas com pessoas especiais que obtiveram êxito no percurso escolar ou profissional e que possam apresentar testemunhos sobre suas trajetórias e seus problemas no contexto escolar.
    Reitera-se, como ponto de partida, o estímulo a uma disposição humanitária inicial do educador. Essa disposição inclui considerar o outro como pessoa, sujeito e cidadão, com direito à escolarização e a viver plenamente. Essa atitude é imprescindível. Ela não pode ser confundida com o assistencialismo, implícito no impulso de “querer ajudar o outro”, muitas vezes, erroneamente associado à educação inclusiva. A visão assistencialista não concebe a relação com a pessoa com deficiência como uma via de mão dupla, e sim como um “dar de si” ao outro, considerado menos capaz ou menos válido. Portanto, é essencial que os professores reconheçam sua própria importância no processo de inclusão, pois a eles cabe planejar e implementar intervenções pedagógicas que dêem sustentação para o desenvolvimento das crianças.
    A insegurança de muitos professores, associada ao despreparo profissional, são fatores que necessitam ser equacionados e superados. Portanto, a efetivação plena e permanente do processo inclusivo depende muito da atuação e das atitudes dos professores e do acesso a novas informações. É indispensável ainda, a construção de grupos de estudos a respeito da temática da inclusão nas escolas, para os professores compreenderem melhor a deficiência visual e saberem perceber a diferença, por exemplo, entre pessoa cega e com baixa visão e entenderem que esta última também traz grandes limitações sensoriais.
Adaptações pedagógicas
     A educação de pessoas com deficiência visual exige alguns recursos específicos que viabilizam seu acesso ao mundo cultural e científico. É importante que estes recursos possam estar associados à educação destas na escola comum e que envolvam, desde aspectos cotidianos das relações interpessoais, até o uso do computador como ferramenta indispensável.
     O material didático, para os alunos cegos, deve ser em braille e em relevo e cores contrastantes, para os alunos com baixa visão, em tipos ampliados. Muitos materiais pedagógicos adaptados às pessoas cegas podem ser adquiridos em lojas especializadas, não necessitando ser produzidos pelos professores. Alguns destes devem ser adaptados: uma bola deve conter um guizo interno; devem ser usadas ilustrações em relevo para auxiliar a compreensão de um tema; mapas em alto-relevo e braille para auxiliar o ensino da Geografia, bem como tabelas periódicas e livros em braille ou digitalizados. Todo o material apresentado visualmente, independente da disciplina, deve ser acompanhado de explicações verbais para auxiliar a compreensão de quem não vê.
  Os alunos com deficiência visual podem apresentar dificuldades específicas em relação à aprendizagem da Matemática. Nesse sentido, é necessário que experimentem jogos ou brinquedos por meio dos quais poderão vivenciar a classificação, a ordenação por tamanho, a adição e a subtração, além da comparação entre objetos. É importante que a criança desenvolva a noção de conservação dos conjuntos, de equivalência e, progressivamente, de outras operações de base concreta, como suporte para posteriores abstrações. O uso do Soroban4 como um recurso educativo específico é imprescindível para a execução de cálculos matemáticos por alunos com deficiência visual.
    A escola deve ter materiais diversos que estimulem a percepção do aluno cego e também dos outros alunos, por meio de exercícios ou trabalhos comuns. O papelão grosso, a espuma, o tecido colorido, guizos, elástico, bolinhas, pompons, ripas de madeira, chocalho, feltro de várias cores, lã, fita, latas pequenas com tampas, tampinhas de bebida, velcro, luvas de plástico, sabonetes pequenos, argolas grandes e pequenas, E.V.A. (emborrachado) e vários outros materiais podem ser utilizados em atividades coletivas, relacionadas aos conteúdos do dia. Como se pode perceber, a estimulação do sistema tátil é importante para a aprendizagem da criança cega. Vários recursos podem ser associados à educação que ocorre na escola comum, por meio da modernização de recursos já existentes e de novas propostas educacionais, alguns deles, inclusive, produzidos com a participação das pessoas com deficiência visual. Masini (1997) aponta a predominância dos aspectos verbais e visuais nas comunicações. É necessário que o educador esteja atento aos canais perceptivos das pessoas cegas. Para que o aluno cego organize seu mundo, ele necessita interagir com os objetos e as pessoas, usando as habilidades táteis, olfativas, gustativas e auditivas, de forma que ele possa expressar sua experiência perceptiva.
    Muitas pessoas cegas têm desenvolvido suas potencialidades na leitura, na escrita, na fala e no diálogo com os outros e apresentam grande potencial escolar e desempenho eficiente. A ação educativa requer sensibilidade do educador para com o outro, observando suas ações, o que ele diz, como diz e, como ele se sente na situação: ansioso, relaxado, feliz.  Todo aluno deve ter possibilidade de expressar, para o professor e para o grupo, o que percebe, o que sabe e o que sente. Para as exposições de todos, ou dos que se propuserem a falar, o professor pode delimitar um tempo determinado. Para o aluno cego, a oportunidade de verbalizar em grupo pode lhe permitir compor as suas representações com as dos colegas. Masini (1997) dá destaque para a formação do autoconceito do aluno cego. Esse processo consiste na avaliação que a pessoa tem de si e que se forma na interação com os outros. Ele é baseado nas próprias experiências e percepções, assim como nas descrições dos outros. O autoconceito positivo revela elevada auto-estima e confiança em si; já o autoconceito negativo significa uma falta de confiança em si mesmo, além de não saber lidar com seus limites e possibilidades. Quando a sociedade expressa sentimentos que confirmam o outro como sujeito, na sua particularidade, ele forma um autoconceito positivo; se o negam, ele desenvolve um autoconceito negativo. Esse é um aspecto importante para o desenvolvimento de todas as crianças.
    Para o aluno com deficiência visual, há necessidade de contato e estimulação por meio dos sentidos remanescentes, evitando o sentimento de isolamento. É preciso falar com ele, mostrar-lhe os objetos através do toque, dizer qual é a sua cor, falar de cheiros. Ao procurar avaliar o seu processo de desenvolvimento e aprendizagem, ter como referência as suas potencialidades, não a comparação com as pessoas que enxergam. Para assegurar sua autonomia de registro e expressão, é importante estimular a pessoa cega a aprender o Sistema Braille.
    Na escola, o deslocamento do aluno com deficiência visual deve ser estimulado e facilitado dentro e fora da sala. O professor pode acompanhar ou sugerir que, no início, alguém o acompanhe (por exemplo, ao bebedouro), já que, num futuro próximo, ele o fará por si. Mover-se livremente no espaço, localizar lugares que não estão no campo visual e planejar trajetórias a serem percorridas são atividades de grande importância no dia-a-dia desse indivíduo. Deve haver todo um cuidado com os alunos cegos durante o intervalo das aulas. Neste sentido o professor, em acordo com os serviços da escola, precisa elaborar estratégias que facilitem não somente o deslocamento da criança cega no recreio, mas, também sua relação com os demais colegas e destes com ela, para que não fique isolada e aproveite este espaço como momento de fruição e prazer. Masini (1994) e Amiralian (1997) destacam a necessidade de compreender o sujeito deficiente visual a partir dos seus próprios referenciais e vivências. Para tanto, é indispensável uma maior interação com a pessoa com deficiência visual. Convivendo com elas e as observando, constata-se que buscam, por sua própria conta, desenvolver sua locomoção, independência e autonomia, melhorando, assim, a autoestima e conquistando espaços sociais importantes.
     A utilização de recursos pedagógicos diversificados para cada tipo de aluno é fundamental, considerando que as formas de aprendizagem e desenvolvimento diferem-se conforme as necessidades especiais de cada criança. A escola deve se propor como instrumento para o desenvolvimento humano: esse desenvolvimento pressupõe, basicamente, a integração entre as dimensões afetiva e cognitiva. A eficácia da ação educativa se fundamenta no conhecimento da natureza do aluno, de suas capacidades e necessidades.
O mundo “virtual”
   O acesso às novas tecnologias facilita os estudos das pessoas cegas e seu acesso ao mundo “virtual”, principalmente com o surgimento dos leitores de tela que, instalados no computador, auxiliam na escrita e leitura de textos, bem como o acesso ao correio eletrônico e a todos os recursos disponíveis através da internet. A utilização do computador traz maior autonomia para as pessoas cegas, pois através dele podem ler textos sozinhas, digitar seus trabalhos escolares e imprimi-los sem ajuda de um professor de apoio para transcrever sua escrita, como no caso do braille para a tinta.
Existem vários programas leitores de tela especiais para cegos, como o Virtual Vision, Jaws, DOSVOX, etc. Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o MEC desenvolveu o aplicativo Mecdaisy, lançado em 2009, que permite a qualquer usuário transformar, de maneira rápida e simples, arquivos de texto em áudio ou ainda gerar documentos para impressão de textos em braille. É uma das mais recentes tecnologias no que se refere a softwares dessa natureza no Brasil. Segundo Oka e Nassif (2010), DAISY (sigla de Digital Accessible Information System) foi constituído na Suécia em maio de 1996 pelas bibliotecas de livros em áudio, liderando uma transmissão mundial de livros analógicos para os chamados Digital Talking Books5 e tem como um dos objetivos principais conferir autonomia a pessoas com deficiência visual, dando-lhes liberdade, inclusive, para criar, imprimir e publicar textos. O Mecdaisy possui versões para Linux e Windows6, o que o torna mais acessível aos usuários, dando-lhes opções de softwares diversos7. Embora o Mecdaisy seja uma tecnologia inovadora, alguns procedimentos de manuseio desta ferramenta ainda não estão muito claros, o que pode dificultar a utilização para alguns usuários.
   Junto aos deficientes visuais, de forma solidária, há trocas constantes de informações para construção do aprendizado e, ao mesmo tempo, muitos estão aprendendo sozinhos a trabalhar com a informática, utilizando-se de recursos disponíveis na internet (apostilas explicativas sobre programas leitores de tela, participação em chat, bem como listas de discussões).
  Devido a este avanço tecnológico, existem inúmeros livros digitalizados disponíveis na internet e acessíveis à leitura dOs programas leitores de telas, inclusive, sites gratuitos que introduzem e facilitam a navegação das pessoas cegas, podem ser de uso das crianças.
   A informática está possibilitando aos deficientes visuais perspectivas de trabalho e de comunicação, aprendizagem e acesso a informações. Como ainda há dificuldade para a impressão e leitura de livros e materiais diversos em braille e também poucos professores que o sabem, o aluno pode usar o computador e, assim, “ler” (ouvir) os textos que serão falados por meio do programa.
  A informática dispõe de recursos que possibilitam ao deficiente visual ter melhores condições de acesso à educação e, consequentemente, possibilita uma melhoria na qualidade de vida, seja através do crescimento intelectual (acesso a informações e educação), pessoal (possibilidade de se comunicar e formas de entretenimento com outros indivíduos em condições de igualdade) e profissional (ter meios adequados  para  desenvolver  uma  atividade  profissional possibilitando a conquista da independência financeira).
   Esses são alguns dos indicadores de que a efetivação da educação inclusiva somente se realizará quando houver um investimento na escola, em instrumentos, ferramentas ou recursos que propiciem às pessoas com deficiências exercício de suas capacidades, a expansão de sistemas de representação e a superação de limites. Estas necessidades devem ser consideradas pela escola que almeja incluir a pessoa com deficiência visual com maiores possibilidades de sucesso.
Considerações finais
  Novas necessidades surgem no decorrer de um trabalho efetivo de inclusão: o envolvimento de todos no estudo e na construção de propostas concretas para o fazer pedagógico; a criação de políticas de fomento para que as escolas e universidades possam ampliar este atendimento; criação de equipe multidisciplinar de pesquisa e produção no campo da inclusão educativa; aquisição de equipamentos necessários para a intensificação do trabalho com os professores e alunos com deficiência visual; realização de encontros com os setores administrativos escolares, para que possam refletir seus fazeres diante desta nova realidade.
  Devemos continuar a investir no desafio que é do educador:  seguir  aprendendo  sobre  o  que  ainda  não se sabe. O  processo de  inclusão  provoca,  produz incertezas e desacomodação que são, concomitantemente, condições necessárias para a produção de ciência na escola e na universidade, um fazer que, no caso, implica no desenvolvimento de uma pesquisa com intervenção, reflexão, escrita e leituras que nos fazem aprender com os novos desafios deste nosso tempo ainda tão marcado por profundas exclusões.

   A inclusão é uma busca, uma construção que remete a um novo modo de convivência, mais encontros do que desencontros entre educadores, e destes com as crianças e com as famílias, encontros que devem se constituir em momentos de “oxigenação” – teórica e prática – e acolhimento. A inclusão convida  todos a participar do novo, a um trabalho de mais autorreflexão enquanto educadores, pois se nos transformamos a cada instante, na convivência podemos construir novos modos de pesquisar-aprender-ensinar..

NOTAS DE RODAPÉ

1 Para fins educacionais, ao se referir à deficiência visual está se fazendo menção às pessoas com cegueira (pessoas cegas), aquelas que apresentam desde a ausência total de visão até a perda da projeção de luz, sendo que seu processo de aprendizagem se fará através dos outros sentidos (tato, olfato, audição, paladar), utilizando o Sistema Braille como principal meio de comunicação escrita e, às pessoas com baixa visão, que são aquelas que apresentam "desde condições de indicar projeção de luz até o grau em que a redução da acuidade visual interfere ou limita seu desempenho", sendo seu processo educativo se desenvolvendo principalmente por meios visuais, ainda que com a utilização de recursos específicos (http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/txt/alunoscegos.txt).
2 As funções psíquicas superiores, a cujo estudo Vygotski dedicou-se, são exclusiva e especificamente humanas, sociais, "artificiais", de origem cultural, internalizadas, construídas sobre a reestruturação das inferiores, que dialeticamente se subsumem nas superiores.
3 Tradução livre: "o conceito (...), como todos os processos psicológicos superiores, não se desenvolve de outro modo que no processo da atividade coletiva da criança".
4 Instrumento para realização de cálculos proposto pela Portaria do Ministério da Educação n. 1.010, de 10 de maio de 2006
5 Livros Digitais Falados.
6 No site do Ministério da Educação o aplicativo pode ser salvo gratuitamente.
7 No site da Fundação Dorina Nowill estão disponibilizados livros em formato Daisy 3.0, gratuitamente.

REFERÊNCIAS
AMIRALIAN, M. L. T. O psicólogo e a pessoa com deficiência. In: BECKER, E. et al. Deficiência: alternativas de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
MASINI, E. A. F. S. Intervenção educacional junto à pessoa deficiente visual (D.V.). In: BECKER, E. et. al. Deficiência: alternativas de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
MASINI, E. F. S. O perceber e o relacionar-se do deficiente visual: orientando professores especializados. Brasília, DF: Corde, 1994.
BRASIL. Ministério da Educação. Nova tecnologia torna livro acessível para alunos cegos. Brasília, DF: MEC, 23 junho 2009. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.phpoption=com_content&view=article&id=/index.php?option=com_content&view=article&id=13782. Acesso em 10 ago. 2009.
OKA, C. M.; NASSIF, M. C. M. Recursos escolares para o aluno com cegueira. In: SAMPAIO, M. W. et. al. Baixa visão e cegueira: os caminhos para a reabilitação, a educação e a inclusão. Rio de Janeiro: Cultura Médica; Guanabara Koogan, 2010.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa amplia inclusão de pessoas com deficiência visual. Brasília, DF: MEC, 24 junho 2009. Disponível em:<
http://portal.mec.gov.br/index.phpoption=com_content &view=article&id=13786%3>. Acesso em 10/08/2009.
SELAU, B. Inclusão na sala de aula. Porto Alegre: Evangraf, 2007.
VYGOTSKI, L. S. Obras escogidas: fundamentos de defectología. Madrid: Visor, 1997.


Bento Selau é professor pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), mestre em Educação e doutorando em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Professor das disciplinas de Educação Especial e Inclusão e Psicologia e Aprendizagem.
Carlise Inês Kronbauer é graduada em História pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ).
Priscila Pereira é graduanda em Pedagogia e bolsista de iniciação científica pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA).

Fonte: Revista Benjamin Constant, Edição 45, Abril 2010